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Conhecimentos de Embarque e Endosso

Durante muitos anos, desde que escrevemos e ministramos aulas, falamos e ensinamos sobre endosso de conhecimentos de embarque. Quando imaginamos que o assunto se tornou pacífico, que todo mundo o conhece, nos deparamos com a nossa famosa “lojinha de 1,99”.

DecisãoJudicialEndossoBLConhecimentoAWB

Aquela em que dizemos, escrevemos e provamos em instantes, que apenas um reduzido grupo de 1% dos profissionais sabe o que faz. Enquanto o grupo de 99% apenas faz. E vai tudo bem até o primeiro problema. Nesse momento, o primeiro grupo segue em frente, enquanto o grupo dois para. Ou, pior, muitos vão em frente, cometendo atrocidades.

No comércio exterior os conhecimentos de embarque aéreo e marítimo estão nessa categoria. Do quase desconhecimento quanto à existência e endosso. No transporte marítimo, por exemplo, o conhecimento geral é da existência do popular bill of lading, ou nosso, simplesmente, B/L. O seaway bill é quase um completo desconhecido. Pouquíssimos já ouviram falar nele.

Falta um mínimo de leitura, ou vontade de aprender, a nossos profissionais, o que é um problema sério para nós. Embora saibamos que, no Brasil, isso não é exclusividade da nossa área, mas quase uma instituição nacional. Aliás, também, como já fartamente descrito por nós.

O que nos obriga, a cada aula, dedicarmos alguns minutos para ensinar sobre administração de tempo, para tentarmos melhorar nossa atividade. Arrumando a nossos alunos entre quatro a sete horas por dia para ler, ver e ouvir.

Tempo extra, sem tirarmos nada do que fazem normalmente. Mas, ler o que interessa. De tudo, porém, basicamente, comércio exterior, economia e política, sendo estas duas últimas aquelas que regem o mundo. E um pouco de tudo o mais, para melhorar suas condições gerais.

Quanto ao conhecimento marítimo, há possibilidade dele ser endossado. E não um documento que sempre pode ser endossado como se imagina amiúde. Como já dito, existem dois tipos de conhecimentos marítimos. O bill of lading, com suas variações de Intermodal, multimodal e charter party, tecnicamente o mesmo, apenas para usos diferentes. O outro é o menos conhecido, e pouco usado, sea waybill.

Em relação ao B/L, qualquer um dos três tipos pode ser endossado ou não, dependendo de como foi emitido quanto à consignação. Se ele estiver emitido “a ordem” (to order) poderá ser endossado. Assim, se emitido “a ordem” ou “a ordem do embarcador” deverá, obrigatoriamente, ser endossado por este. Se “a ordem de alguém” no país ou no exterior, ou “a ordem de um banco”, o endosso, se ocorrer, deverá ser feito pelo consignatário.


Portanto, sendo um B/L e estando emitido “à ordem” ele poderá ser endossado sem problema, e em geral o é. Com respaldo do artigo 587 da Lei 556 de 25/06/1850. Isso mesmo, uma norma imperial. É o Código Comercial Brasileiro, ainda em vigor. Assim, um B/L “consignado a alguém”, diretamente, sem ser “à ordem”, não pode ser endossado. E ai é que costuma estar o problema. Há quem o endosse, e há quem o aceite, inclusive a RFB – Receita Federal do Brasil. Isso não poderia ocorrer em hipótese alguma.

Dissemos que o consignatário é quem deve endossar o Bill of lading, quando for permitido. Mas, obviamente, como é fartamente sabido, não precisa ser necessariamente pela própria “pessoa”. Existe o instituto da procuração, dando poder a outrém, que pode ser usado para tudo. Tanto particular quanto passada em cartório, sempre dependendo das exigências legais ou particulares para tal.

Assim, quem tiver procuração desta “pessoa”, especificamente para tal ato, seja o que for, poderá agir em seu nome. Isso ocorre o tempo todo com qualquer coisa. Obviamente, pode ocorrer com endosso do B/L.

O sea waybill, o outro conhecimento de transporte marítimo citado, deve ser emitido, sempre, diretamente a alguém, e nunca “à ordem”. Isso por que ele é um documento criado “não negociável” (not negotiable). Assim, ele não permite seu endosso, o que significaria torná-lo negociável, o que ele não é. Mas, na nossa “lojinha de 1,99”, há quem o endosse, indevidamente.

Quanto ao conhecimento de transporte aéreo, o awb – airway bill, ou seus derivados em caso de consolidação de carga, o hawb – house airway bill (conhecimento filhote) ou o mawb – master airway bill (conhecimento mãe) é diferente.

Este é um documento que não pode ser endossado. E uma das razões é sua própria criação, externada em seu próprio formulário. A outra, as instruções da IATA – International Air Transport Associaton (Associação de Transporte Internacional).

Em primeiro lugar temos o formulário que, no alto, mais ou menos no meio, podendo ser levemente à direita, no box do nome da empresa, está escrito, claramente, “not negotiable”. Isso significa que o documento foi criado não negociável.

Assim, se ele próprio está designado dessa forma, não há como negociá-lo. O que significa que não pode ser endossado. É contra sua própria natureza. O consignatário tem que fazer a DI – Declaração de importação e retirar a mercadoria.

A segunda razão, que inviabiliza o endosso, é que o documento não pode ser emitido “à ordem”. Ele tem que ser emitido consignado “a alguém”. No TACT Manual – The Air Cargo Manual, temos os itens “terms – consignee”, e o “shipper’s documentation”.

O primeiro item reza “the person whose name appears on the awb as the party to whom the goods are to be delivered by the carrier” (a pessoa cujo nome aparece no awb como a parte a quem a mercadoria deve ser entregue pelo transportador). O seguindo item reza “show consignee’s full name, street, address, city and country” (mostrar nome completo, domicílio, cidade e país do consignatário).

Assim, não é possível endossar o AWB. Quando endossado, o é de forma equivocada. O pior é que muitos fiscais o aceitam.

Por: Samir Keedi | @comexblog

Banco de negócios para o comércio exterior

Temos notado, ao longo do tempo, que o comércio exterior brasileiro não consegue ser objeto de mais atenção do governo. Que não consegue vê-lo como uma das melhores formas de desenvolvimento de um país. E do mundo.

ComércioExteriorInternacionalizaçãoImportaçãoExportação

Embora reconheçamos que tem sido um dos principais temas de nossa economia. Pena ser apenas conversa ao invés de ser visto como a solução e uma das “salvações da lavoura” e da retomada do nosso crescimento.

É incrível como se fala, e como tão pouco tem sido feito de concreto. O superávit ou déficit na balança comercial fica mais por conta do próprio empresariado.

O atual quadro deve-se, claramente, à errônea política econômica que vimos praticando ao longo dos últimos anos, para não dizer em nossa história, e que nunca deu a merecida atenção ao comércio exterior.

Para não ficarmos apenas no governo, devemos dizer que nossos empresários também sempre trataram a exportação como uma oportunidade temporal.

Mudando o foco quando o mercado interno apresenta melhoras, esquecendo que a recuperação de clientes é muito mais complicada do que a sua conquista. Principalmente num mundo milenar e visivelmente globalizado como ele é cada vez mais.

Considere-se também que somos campeões mundiais de carga tributária e de taxa de juros, considerando nosso (sub)desenvolvimento, o que sempre tem complicado sobremaneira o desejo de exportação, pois não é fácil exportar estes dois componentes.

Desse modo, nossa participação no comércio mundial voltou a regredir nos últimos anos desde 2011, quando atingimos nosso pico. Não conseguimos deixar esta incômoda fração de cerca de 1,2% do comércio mundial.

Sem contar que já fomos 2,37% em 1950, posição cada vez mais impossível de retomar. Quanto à relação com o nosso PIB (Produto Interno Bruto), não conseguimos sair dos cerca de 20%, enquanto o comércio mundial é de 50% do PIB mundial. Tudo nas duas vias, de exportação e importação. Não conseguimos nos integrar ao mundo de maneira alguma.

Precisamos mudar tudo nessa área. Começando, claro, pelo nosso eterno pedido de um Ministério de Comércio Exterior. O que pode mostrar um pouco mais de seriedade.

Ao longo do tempo, temos falado muito em consórcios de exportação. Que entendemos como uma eficiente maneira de aumentarmos nossas vendas externas, principalmente através das pequenas e médias empresas que não conseguem fazer isso por si.

Ao longo do tempo, vimos várias criações de consórcios que nunca funcionaram. Ao invés de pegarem o mais sensacional consórcio já criado no Brasil, a Unef – União dos Exportadores de frango – vão buscar exemplos estrangeiros.


A Unef, do qual nos orgulhamos de ter feito parte, foi criada em 1977 para fazer do Brasil o maior exportador de frangos do mundo, saído do zero. O que conseguimos já em 1980.

Posição mantida até hoje, com exportações de 4 milhões de toneladas de penosas, no valor de US$ 8 bilhões. Realmente uma pena que sejamos um país sem memória e sem história.

Gostaríamos de colocar à nação mais uma opção, que esperamos que um dia encontre o mesmo respaldo recebido pelos consórcios, que é a ideia de um Banco de Negócios.

O que seria esse banco? Já não os temos em número suficiente no país? Esse banco, conceitualmente, é totalmente diferente do banco normal e formal que conhecemos, cuja função no comércio exterior é agir no câmbio de moedas.

Esse Banco de Negócios seria uma mistura de banco e empresa, cujo objetivo principal seria o comércio exterior. Mas não da maneira tradicional, com financiamentos e contratações de câmbio, mas com compra e venda de produtos. Portanto, respaldando as nossas exportações através das importações.

Sabemos que o comércio exterior é uma via de duas mãos, e, portanto, um  aumento nas vendas pressupõe uma contrapartida nas compras. Só que isso nem sempre é possível através da mesma empresa, além do fato de que os produtos do país comprador podem não interessar diretamente ao nosso.

A ideia, então, é que nossas empresas exportadoras vendam os seus produtos, e o Banco de Negócios, se preciso, entra comprando desse país os seus, em valores ou volumes necessários a permitir nossas vendas, revendendo-os, posteriormente, a outras empresas, brasileiras ou de terceiros países.

Como se vê, não seria um banco comum, nem um banco de financiamentos ou empréstimos, mas um Banco de Negócios, isto é, de apoio às nossas exportações. Seria um banco efetivo de exportação e importação.

Em certos aspectos teria uma semelhança bastante grande com as operações de uma trading company, porém com o objetivo de respaldo ao aumento de nossas exportações, o que não é o escopo de atuação das tradings.

Como esse banco poderia não se viabilizar apenas com esses negócios, visto que estaria implícito a perda de algum dinheiro em determinadas operações, ele poderia ser uma agência especial do governo funcionando como incentivo à exportação.

Também está implícito, nesse caso, o apoio de nossas embaixadas, consulados e escritórios comerciais no exterior, na identificação de oportunidades de negócios que possam alavancar as nossas vendas externas, e as áreas em que o Banco de Negócios poderia entrar, comprando para permitir as vendas de nossos produtos.

O nosso Ministério das Relações Exteriores, como pode ser notado, passaria a ter uma ação fundamental no comércio exterior brasileiro, o que nem sempre ocorre, salvo algumas exceções louváveis.

Dessa maneira, sim, o governo brasileiro estaria trabalhando, efetivamente, em mais uma frente, na direção do crescimento de nossas exportações. E, com isso aumentando as chances de tornar viável o sonho do país de apresentar-se como um player de peso a nível mundial, o que a nação, penhorada, agradece.

Por: Samir Keedi | @comexblog

Enaex discute barreiras não tarifárias e facilitação de comércio

A secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Anamélia Soccal Seyffarth, participou hoje do segundo dia do Encontro Nacional do Comércio Exterior (Enaex), no Rio de Janeiro. Ela foi palestrante do painel "O Presente e o Futuro das Barreiras Não Tarifárias", que são leis ou práticas de negócios que afetam o comércio internacional.
Na palestra, Anamélia destacou o tratamento dado às barreiras não tarifárias pelo Plano Nacional de Exportações (PNE), lançado em junho deste ano pelo governo federal. Uma das ações do plano é a implementação de política pública para tratamento dessas barreiras por meio da construção de um sistema de recebimento, análise, processamento e tratamento (Sistema Barreiras) de barreiras não tarifárias às exportações, além de elaboração de inventário, entre outras medidas.
Outro ponto abordado relacionado ao PNE foi a importância da convergência regulatória entre os países. "É uma forma de fazer com que requisitos regulatórios ou padrões privados de diferentes países convirjam e sejam considerados harmonizados, equivalentes ou reconhecidos mutuamente", afirmou a secretária-executiva da Camex. "A regulamentação, padrões privados, requisitos sanitários, licenças e autorizações são as principais barreiras não-tarifárias, por isso os acordos de convergência regulatória são importantes para ampliar o acesso a mercado", finalizou.
Facilitação
No primeiro dia do Enaex, a diretora de competitividade da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC, Ana Junqueira, participou do painel: "A Facilitação do Comércio Exterior: Caminho para Ampliar a Competitividade". Ana iniciou sua palestra destacando a importância da facilitação: "O governo brasileiro está ciente da necessidade de implementação do Acordo de Facilitação de Comércio da OMC, que permitirá uma economia de 12,5% a 17,5% em recursos utilizados no comércio exterior". Ela também deu destaque aos benefícios do Portal Único de Comércio Exterior, lançado em abril do ano passado para centralizar as informações, reduzir custos de exportadores e importadores, e aumentar a eficiência e transparência. "Nosso foco é o redesenho de processos que visa à racionalização da intervenção estatal", disse Junqueira.
A diretora da Secex explicou que implementação do Portal único está sendo feita em etapas e estará finalizada em 2017. Já foram entregues os módulos "Anexação Eletrônica de Documentos", que permite a entrega, pela internet, uma única vez, de documentos digitalizados em substituição a cópias de papel, e o "Visão Integrada", que permite que o operador de comércio exterior acesse os 22 órgãos intervenientes de em um único site.
Durante a palestra, Junqueira explicou que a implementação do Portal vai criar um fluxo único de informações, com foco no usuário, transformando uma visão fragmentada sobre as operações de comércio exterior em uma visão agregada como mesmo acesso para todos os intervenientes públicos e privados. Segundo ela, as expectativas, após a implementação completa do Portal Único em 2017 serão A meta final reduzir o prazo de exportação de 13 para oito dias e o prazo de importação de 17 para dez dias; economia de tempo de 40%; economia de US 23 bilhões; e aumento do PIB em 1,19%.
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Fonte: http://portal.siscomex.gov.br/informativos/noticias-orgaos/secex/enaex-discute-barreiras-nao-tarifarias-e-facilitacao-de-comercio-1

Brasil vai alavancar comércio com EUA, diz Armando Monteiro

O Brasil deve ter em até dois anos um ganho expressivo no fluxo de comércio com os Estados Unidos, especialmente nas exportações brasileiras de manufaturados, após acordos que podem ser anunciados durante visita da presidente Dilma Rousseff ao país prevista para o fim deste mês, afirmou o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Novo ministro do Desenvolvimento, senador Armando Monteiro

Armando Monteiro disse também nesta segunda-feira que o Plano Nacional de Exportação a ser lançado este mês também vai alavancar as vendas externas para o mercado norte-americano.

O ministro explicou que a agenda com os Estados Unidos para a área de comércio está em fase final de programação e que os acordos podem ser anunciados após o encontro, dado que a visita de Estado "tem uma dimensão muito maior".

"O importante é que os dois governos reafirmem que essas áreas são importantes no plano das relações bilateriais. Esse sinal vamos ter de forma muito clara", disse ele a jornalistas depois de participar de um seminário na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Monteiro citou os setores de cerâmica, têxtil e máquinas e equipamentos como parte dessa agenda comercial.

Ele explicou que existe uma iniciativa dentro do governo de redirecionar o comércio exterior brasileiro, e que os Estados Unidos são uma prioridade. Segundo ele, as barreiras tarifárias não são empecilho para a ampliação das vendas externas brasileiras para os EUA, em média em 3,5 por cento. O maior desafio está na integração regulatória e nos empecilhos técnicos, não tarifários.

O Plano Nacional de Exportação será lançado no dia 23 de junho e, segundo Monteiro, faltam alguns detalhes para que ele seja finalizado. "Ainda precisamos negociar as coisas mais sensíveis ao ajuste (fiscal em curso)", afirmou. "Estamos pedindo um reforço por entender que é um instrumento muito importante para exportação de manufaturados e serviços", completou.

Fonte: Exame

Comércio exterior registra queda de 18% no ano

O comércio exterior brasileiro está sentindo os reflexos da desaceleração econômica. Nos cinco primeiros meses deste ano, a corrente de comércio do país foi de US$ 151,7 bilhões, uma queda de 18% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Containers em porto de Hong Kong, na China

A corrente de comércio é calculada com base na soma das exportações e importações e pode ser um termômetro do desempenho da economia.

No ano passado, a corrente apresentou um leve recuo, mas uma retração tão forte não era registrada nesse período desde 2009, quando a economia mundial sofria os abalos da crise internacional. Entre janeiro e maio daquele ano, a queda foi de 25% ante o mesmo período de 2008.

"O que gera atividade econômica é a corrente de comércio. Quanto mais um país exporta ou importa, mais ele tende a gerar atividade econômica", afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "A corrente de comércio precisa crescer, mas no Brasil, nos últimos anos, está ocorrendo exatamente o inverso", diz.

Nos cinco primeiro meses de 2015, as importações recuaram 18,1%. Uma boa parte dessa queda pode ser atribuída à recessão, que faz o país demandar menos produtos do exterior.

A desaceleração brasileira ficou evidente no primeiro trimestre, quando o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,2% na comparação com o último trimestre de 2014. Para o ano, os economistas consultados pelo relatório Focus, do Banco Central, esperam uma retração de 1,27%.

"A demanda brasileira é menor por causa da atividade mais fraca e da renda crescendo menos", afirma Bruno Lavieri, economista da Tendências Consultoria Integrada. "Nesse cenário há ainda o novo patamar do câmbio como agravante", diz.

No lado das exportações, a queda foi de 16,2%. A balança comercial brasileira tem sido afetada pela retração dos preços das commodities no mercado internacional por causa da expectativa de menor crescimento da economia chinesa, grande compradora de produtos básicos.

A pauta brasileira é extremamente dependente da venda de produtos básicos. Nos primeiros cinco meses desse ano, por exemplo, eles responderam por 46,2% do total vendido.

"Houve uma retração muito forte no preço de alguns produtos básicos. Pelo fato de o Brasil ter se aprofundado nessa dependência, se torna mais vulnerável numa situação de queda de preço das commodities", afirma Lavieri.

A retração de preços dos produtos básicos se agrava porque ela não é compensada pelos manufaturados, mesmo com o novo patamar do câmbio. A indústria brasileira ainda se recente da falta de competitividade agravada nos últimos anos e da perda de mercado internacional.

"O Brasil precisa voltar a exportar manufaturados, mas para isso é preciso fazer as reformas estruturais, como a tributária, trabalhista e previdenciária. O investimento em infraestrutura também é fundamental para reduzir o custo", afirma Castro, da AEB. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Exame

Brasil exporta recorde de 9,3 mi t de soja em maio

As exportações de soja do Brasil em maio atingiram volume recorde de 9,34 milhões de toneladas, superando a melhor marca mensal anterior registrada em abril de 2014, com os portos escoando uma safra histórica da oleaginosa.

Soja

Os embarques de soja renderam ao país no mês passado 3,6 bilhões de dólares --de longe a commodity mais rentável no período--, mas o valor ficou abaixo do registrado em maio de 2014, apesar do volume maior, devido a uma acentuada queda nos preços internacionais nos últimos meses.

As exportações de maio de 2014 foram de 3,87 bilhões de dólares. No período, os preços caíram 24 por cento, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O volume recorde de exportações confirma expectativa de analistas e de dados analisados pela Reuters, que indicavam que maio iria superar a marca de 8,25 milhões de toneladas de abril de 2014.

"A movimentação nos portos é forte. Está dentro da normalidade, considerando que os volumes são maiores este ano. Em princípio, tenho expectativa bastante positiva para o mês de junho. Possivelmente junho vai ser um mês bastante forte", disse o secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Fabio Trigueirinho.

O Brasil está terminando de colher uma safra recorde em 2015. O volume foi estimado nesta segunda-feira pela Abiove, que representa as grandes indústrias e tradings do país, em mais de 93 milhões de toneladas, quase 8 por cento a mais que no ano passado.

Os embarques de farelo de soja em maio também foram elevados, alcançando 1,59 milhão de toneladas, 12 por cento a mais que um ano antes e o maior volume desde agosto do ano passado.

Fonte: Exame

China eleva importações de soja em maio; espera-se recorde

As importações de soja pela China cresceram 2,7 por cento em maio na comparação com o mesmo período do ano passado, para 6,13 milhões de toneladas, mostraram nesta segunda-feira dados alfandegários, enquanto há expectativas de novos aumentos nos próximos meses que levantam preocupações sobre as margens de esmagamento no maior importador global.

Produção de soja. Colheita

As importações continuaram a subir devido a uma safra recorde na América do Sul e com a chegada de carregamentos comprados anteriormente.

As importações chinesas, que cresceram 15,4 por cento ante abril, e expectativas de um volume recorde para junho têm pressionado os preços do farelo de soja ao seu nível mais baixo em oito anos.

Uma redução nas criações de suínos também prejudicou a demanda por farelo de soja, principal produto do esmagamento da oleaginosa.

As importações mensais de soja pela China em junho poderão atingir até 8,5 milhões de toneladas, um volume mensal quase recorde, de acordo com estimativas de alguns analistas.

O país é o maior importador mundial da oleaginosa, respondendo por mais de 60 por cento do volume negociado globalmente.

As importações chinesas nos primeiros cinco meses do ano caíram 2,7 por cento, para 27,07 milhões de toneladas, de acordo com os dados.

Fonte: Exame

Estratégia do petróleo está funcionando, diz Arábia Saudita

A estratégia saudita de defender sua fatia de mercado no setor de petróleo, sobrepondo isso à questão do preço, é um sucesso, afirmou o ministro do Petróleo do país, Ali al-Naimi, antes de um encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Questionado se a estratégia da Arábia Saudita está funcionando, ao chegar em Viena para o encontro, ele disse: "Sim".

Refinaria na Arábia Saudita

Al-Naimi não quis comentar o possível resultado da reunião de sexta-feira da Opep.

Há, porém, a expectativa geral de que seja mantida a cota de produção do cartel de 30 milhões de barris ao dia, uma posição defendida pelo ministro saudita do Petróleo na reunião anterior.

A autoridade afirmou que o consumo de petróleo "será provavelmente melhor que agora" no segundo semestre do ano.

"A demanda está sendo impulsionada", enquanto "a oferta está desacelerando", disse, acrescentando que os mercados da commodity caminham para uma estabilização.

Por ora, porém, o ministro saudita advertiu que "há um problema com o excesso" de produção. A curva de preços futuros está desacelerando, tornando menos atraente a produção e venda da commodity, avaliou.

Questionado sobre a perspectiva de uma alta na produção iraniana e do Iraque, al-Naimi disse que "você pode ver que eu não estou estressado e estou feliz". Segundo ele, nunca houve bloqueio para o retorno de qualquer produtor ao mercado. Fonte: Dow Jones Newswires.

Fonte: Exame

Classificação Fiscal de Mercadorias no Comércio Exterior

Sua empresa tem plena convicção da classificação fiscal que utiliza nas importações ou exportações de suas mercadorias? Pois é, isso é extremamente importante para a determinação de sua tributação, bem como para demais fatores que permitirão o andamento saudável de sua operação.

Capacitações Comércio Exterior Missões no Exterior

A classificação de mercadorias no comércio exterior se baseia num Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (S.H.), criado em 1985, no intuito de unificar mundialmente os códigos de todas as mercadorias passíveis de negociação internacional. O código S.H. possui seis dígitos. Os dois primeiros determinam o capítulo da mercadoria. O terceiro e quarto dígito referem-se a sua posição, enquanto que o quinto e sexto dígitos informam sua subposição. Essas condições foram justamente desenvolvidas para que sejam localizadas de forma segura e organizada a classificação fiscal de sua mercadoria.


No entanto, para que haja uma classificação completa da mercadoria, não podemos nos basear apenas pelo Sistema Harmonizado. Nosso aliado para isso é a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), utilizada pelos países membros do Mercosul em relação a terceiros países. Portanto, a classificação fiscal de sua mercadoria é composta por oito dígitos, os dois últimos denominados item e subitem respectivamente.

Utilizamos a Classificação Fiscal no Comércio Exterior para determinação de alíquotas, estatísticas de mercado e até mesmo para a Balança Comercial. A classificação fiscal das mercadorias também auxilia no controle aduaneiro, nas negociações em acordos internacionais, nos controles de valoração aduaneira e também para aplicações de direitos de defesa comercial.

A classificação correta de sua mercadoria irá garantir o andamento natural de sua operação internacional. Estude, pesquise e tenha segurança da classificação fiscal de seu produto, uma classificação equivocada pode originar prejuízos e atrasos na liberação das cargas de sua empresa.


Por Renan Diez | @comexblog

Avaria grossa, o que fazer

O acidente ocorrido dia 25 de abril com o navio porta-contêineres Maersk Londrina, no Oceano Índico, dependendo da extensão das perdas, faz crer que o armador-proprietário Maersk Line A/S deverá declarar avaria grossa. O cargueiro, depois de fazer escala em Tanjung Pelepas, na Malásia, quando navegava com destino aos portos brasileiros de Santos, Sepetiba, Itapoá, Itajaí e Paranaguá, sofreu explosão seguida de incêndio no interior do porão nº 7.

AvariaGrossaMaerskLondrinaContêiner

O navio permaneceu à deriva por muitas horas até que um chamado de socorro foi atendido por um rebocador da empresa de salvamento Oceans Salvage Group, que promoveu o rebocamento e escolta até Port Louis, nas Ilhas Maurício, onde atracou segunda-feira (27). Dada a distância e a situação crítica em que o Maersk Londrina se encontrava, provavelmente, um contrato de salvamento foi celebrado, prevendo remuneração e contribuição equitativa dos componentes (casco, bunkers, cargas e contêineres).Em Port Louis, novos esforços de resfriamento e combate ao incêndio foram feitos, o que significa que considerável quantidade de água deve ter sido lançada no interior do porão, provocando danos às mercadorias a bordo. .


Como se sabe, no Direito Marítimo, avaria grossa engloba todos os danos ou despesas extraordinárias decorrentes de um ato intencional, efetuado para a segurança do navio e suas cargas, em uma situação de perigo iminente, com o objetivo de evitar mal maior. Com a decretação da avaria grossa pelas autoridades competentes, as despesas e danos derivados dos procedimentos de salvamento serão rateados proporcionalmente entre os envolvidos (armador e proprietários das cargas).

Geralmente, é cobrado de cada proprietário das cargas de 2% a 7% da soma do custo da mercadoria e frete. Obviamente, essas despesas extraordinárias são cobertas pelo seguro de transporte internacional, de acordo com as Regras de York-Antuérpia, normas criadas com o objetivo de integrar os contratos de transporte e unificar as resoluções dos problemas relacionados com avaria grossa. Os importadores sem seguro de transporte terão que efetuar um depósito na conta indicada pelo armador, correspondente ao valor definido de sua participação na avaria grossa. Do contrário, não receberão suas cargas. Por isso, o importador jamais deve aventurar-se a realizar uma importação sem a contratação de uma apólice de seguro de transporte internacional.

Após a emissão do Termo de Falta e Avarias (TFA), dependendo dos registros, as seguradoras orientarão sobre a necessidade de vistoria, local e envio de carta-protesto. Para a regulação da avaria grossa, dois formulários são enviados pelo armador, o Average Bond e seu anexo Non-Separation Agreement e o Average Guarantee. Esses documentos precisam ser preenchidos com os dados do contêiner e do Bill of Lading (BL) ou conhecimento de embarque, assinados, carimbados e enviados juntos com uma cópia da invoice (fatura) ao average adjuster (regulador de avaria). Todo esse procedimento deve ser conduzido por profissionais especializados, ou seja, os agentes de carga/despachantes.

Por Mauro Lourenço | @comexblog

Importações registram 29% de queda nos dois primeiros meses do ano



Responsável por 50% do PIB do Espírito Santo, o setor de comércio exterior amarga prejuízo nos dois primeiros meses deste ano, no comparativo com 2014, reforçando mais uma vez a necessidade de buscar alternativas para a operacionalidade do segmento frente às crises internas e externas e a falta de infraestrutura logística. As importações registraram queda de 29%, enquanto que as exportações caíram 11%.

Conforme os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e compilados pela área técnica do Sindiex, as importações estão num cenário ainda mais desfavorável, quando o número registrado no período analisado (US$ 938 milhões) está muito próximo do averiguado em 2010, que foi de US$ 924 milhões, o pior ano das operações nos últimos cinco anos.

No Brasil, os dados também estão negativos no comparativo de janeiro e fevereiro deste ano com 2014: as exportações tiveram uma queda de 19% e as importações reduziram em 11%.

Pauta capixaba

Com a maior participação na pauta de produtos importados pelo Espírito Santo (19%), o segmento de automóveis teve uma queda nas operações de 24% no período analisado, passando de US$ 235 milhões para US$ 179 milhões, um dos piores resultados nos últimos cinco anos.

Máquinas e equipamentos, outro importante item da pauta importadora capixaba, também teve uma desaceleração forte, de 52%, assim como equipamentos elétricos, com uma redução de 28%.

Nas exportações, o minério de ferro, carro-chefe da pauta capixaba, sofre sucessivas quedas desde 2010, chegando ao pior desempenho neste ano ao analisar o período de janeiro a fevereiro: US$ 687 milhões. A título de comparação, em anos anteriores, o resultado foi de US$ 804 milhões (de janeiro e fevereiro de 2014), US$ 852 milhões (2013), US$ 899 milhões (2012) e de US$ 1,2 bilhão (2011). Petróleo e celulose também apresentaram desaceleração no período em 2015 em -36% e -23%, respectivamente.

Conforme análise, as exportações de aço e café foram as únicas que registraram crescimento nos dois primeiros meses deste ano: 168% e 49%, respectivamente.

Fonte: Sindiex/MDIC



Por ComexLinks | @comexblog

Preços x Valores no Comércio Exterior

Se você ainda não compreende a diferença entre preço e valor, está na hora de entender esses conceitos distintos e essenciais que envolvem o dinheiro de sua empresa.

Basicamente, preço é aquilo que você paga, enquanto que valor é aquilo que você leva. O valor está muito mais ligado a questão daquilo que o seu prestador de serviço te oferece para garantir não só o sucesso da operação, mas principalmente a sua satisfação como cliente final.

No comércio exterior, este conceito deve estar bem claro na mente do contratante. O ditado de que o barato pode sair caro se aplica perfeitamente nas operações de importação e exportação.

O preço que sua empresa paga por um frete internacional deve ser analisado com cautela, justamente por estar diretamente ligado ao valor da operação.

A garantia de que a carga será agenciada com segurança, que os prazos serão cumpridos, que o monitoramento seja preciso e que a escolha do Incoterm seja bem definida, podem deixar o preço da operação caro ou barato rapidamente.

Num exemplo prático, um frete internacional marítimo mal contratado pode direcionar sua carga para um terminal em que a burocracia, o preço e a ausência de relacionamento com o cliente possam significar o maior custo de toda a operação, que antes parecia barata.

O processo de liberação da carga, que envolve o registro da operação, a elaboração dos documentos, o acompanhamento constante para a rápida ação junto aos órgãos competentes e o conhecimento preciso da legislação aduaneira, certamente devem ser levados em conta.

O valor que você recebe ao contratar um profissional que conhece a operação processual do início ao fim, garante redução de riscos para o seu negócio. Exemplificando, um registro de importação de uma carga avariada, num momento inoportuno, pode significar a perda do seguro internacional contratado.

O transporte rodoviário em território brasileiro também deve ser observado, principalmente para coletas realizadas nos portos brasileiros. O valor derivado do preço que sua empresa paga deve considerar a experiência da transportadora em coletas para estes tipos de operações.

Na prática, muitas vezes as janelas disponibilizadas pelos terminais portuários para carregamento ocorrem na madrugada ou no período noturno.

Na contratação certa, a transportadora já sabe disso e não acrescentará valores caso a carga seja armazenada no terminal da própria transportadora, para que seja entregue em horário comercial, ou se o caminhão ficar por horas na fila do terminal aguardando a coleta.

Questione o seu prestador de serviços, verifique se o preço pago resulta num valor que lhe satisfaça plenamente e atenda às necessidades de sua empresa. O maior perigo é o barato se tornar caro sem que você perceba.

Por Renan Diez | @comexblog

Ivan Ramalho é novo secretário-executivo do MDIC

Depois de dois anos e quatro meses como alto representante geral do Mercosul, no Uruguai, o economista Ivan Ramalho volta comandar a Secretaria Executiva do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), cargo que ocupou de 2005 a 2010. Ivan Ramalho também foi secretário de Comércio Exterior do MDIC entre 2003 e 2006.  Além disso, foi presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece) e membro do Conselho Superior da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex)  e do Conselho de Administração da BNDES participações S.A (BNDESPAR). Foi funcionário do Banco do Brasil, do qual aposentou-se em 2003.

Fonte: MDIC

Carlos Gadelha é nomeado secretário de Desenvolvimento da Produção do MDIC

Carlos Augusto Grabois Gadelha é o novo secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A portaria de nomeação foi publicada no Diário Oficial da União de segunda-feira (19). Economista e Doutor em Economia pelo Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele é ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Gadelha ainda coordenou o Grupo Executivo do Complexo da Saúde e, no Plano Brasil Maior, o Conselho de Competitividade do Complexo da Saúde.
Na área internacional, promoveu a interação entre o Ministério da Saúde e a Fundação Gates - dos Estados Unidos - para o estímulo à pesquisa e à inovação, com foco nos países menos desenvolvidos, envolvendo vacinas, e  produção nacional para doenças como dengue e malária visando o mercado mundial. Outra atuação internacional foi a coordenação do Comitê Gestor Brasil-Cuba para a pesquisa, inovação e produção em saúde.
Gadelha também foi vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), entre 2007 e 2010; secretário Nacional do Programa de Desenvolvimento Regional do Ministério de Integração Nacional, de 2003 a 2006 - com foco no desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais (APLs); e coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Complexo Industrial e Inovação em Saúde (GIS) da Friocruz.
Além da administração pública, novo secretário do MDIC também tem vasta experiência na área acadêmica. Ele também foi coordenador acadêmico do Mestrado em Política e Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde da Fiocruz, tendo publicado diversos livros e artigos científicos. Sua tese de doutorado foi sobre o tema “Desenvolvimento e Política Industrial”, com foco na inovação.
Fonte: MDIC

A importância do BI para as empresas de comércio exterior

Um dos principais desafios enfrentados por despachantes aduaneiros, importadoras e demais empresas atuantes no setor de comércio exterior é a otimização da análise dos dados obtidos através da sua rotina, bem como a aplicação destes resultados em suas decisões estratégicas. O chamado BI (Businees Inteligence), ou Inteligência de Negócios, é uma realidade presente em diversos mecanismos da economia e permite que as empresas contem com uma análise de dados concreta na hora da tomada de decisões. Este mecanismo já é amplamente utilizado em diversos setores, como o varejo, por exemplo.

Comércio Exterior

Através do BI, as empresas conseguem se posicionar de forma mais competitiva e utilizar estratégias eficazes conforme as tendências econômicas. Sistemas de inteligência analítica, chamados de Web Analytics, que coletam os dados gerados no dia a dia em sistemas de gestão, organizam todas as informações e apontam caminhos para a aplicação destas informações, são um dos principais aliados do Businees Inteligence. A geração de relatórios é mais rápida através desses sistemas, os dados são mais consistentes e o planejamento estratégico certeiro.

No que diz respeito ao setor de comércio exterior, o BI ainda não é uma realidade comum em muitas empresas. O excesso de planilhas Excel e o trabalho manual ainda fazem parte da rotina dos profissionais e dificultam a agilidade nos processos estratégicos. A falta de investimento em tecnologias voltadas para o setor, como sistemas de gestão e de análise, compromete o desempenho das empresas, que enfrentam constantemente falhas na qualidade dos dados, e a subsequente demora para análise dos resultados e tomada de decisões.

Como implantar a inteligência analítica no comércio exterior?

O primeiro passo para aplicar o BI na sua empresa é contar com um sistema de gestão eficiente. É neste sistema que devem estar registrados todos os dados dos seus negócios. Com o avanço da tecnologia, os sistemas se tornaram acessíveis e não utilizá-lo é deixar de ganhar tempo e dinheiro. Busque soluções que levem em consideração as particularidades do setor de comércio exterior, como atualizações conforme a mudanças na legislação e otimização de cálculos de impostos, quantidade de processos por canal/serviço, lead time de processos por serviço/desembaraço, despesas por serviço, entre outras.

Com dados informatizados, invista em um sistema analítico de dados. A ferramenta escolhida deve permitir a integração com o sistema operacional já utilizado na empresa, bem como total segurança na tramitação de dados, facilitando assim a obtenção de uma análise mais coerente com o que a companhia necessita.

Por último, invista na capacitação de sua equipe, para que a aplicação dos dados obtidos seja otimizada. Contar com profissionais qualificados agiliza o crescimento e a conquista de melhores resultados.

Entre os principais benefícios gerados por essa análise, destacamos:

- Ganho de produtividade: a variação da economia, valorização ou desvalorização das moedas, mudanças no mercado consumidor, são algumas das situações que atingem diretamente quem atua em comex. Por isso, dados confiáveis e de fácil acesso tornam a tomada de decisões estratégicas rápidas e eficientes. Com um sistema de análise de dados você reduz o tempo de planejamento estratégico e de pesquisas.

- Tomada de decisões com maior confiabilidade: através de ferramentas analíticas, as companhias contam com precisão na hora de planejar os próximos passos, garantindo destaque e espaço no mercado. Este processo é primordial para o aperfeiçoamento do BI da companhia. Os processos operacionais, táticos ou estratégicos ganham maior suporte em seu desenvolvimento e desempenho.

- Rapidez na criação de relatórios: apresentar resultados e ter à mão as principais ações estratégicas, através de relatórios, é fundamental. Em qualquer setor, incluindo o de comércio exterior, que lida diariamente com questões ligadas à legislação de diversos países e às mudanças globais da economia, este material é de extrema importância. Com os resultados obtidos através do Analytics, gerar relatórios ou dashboard (apresentação visual das informações mais importantes em uma única tela, facilitando o acompanhamento do negócio) fica muito mais rápido e prático. Assim, a equipe tem sempre à mão uma análise confiável para manter o ritmo de crescimento e a solidez dos negócios.

Que os sistemas operacionais e de análise vieram para ficar, não há dúvidas. As empresas estão cada vez mais ligadas às soluções voltadas para o seu negócio. Buscar ferramentas com foco no setor de atuação e otimizar processos é fundamental para garantir a competitividade de mercado. Segundo a Gartner Inc. companhia global líder em pesquisas de Tecnologia da Informação, o uso da inteligência analítica será uma das tendências em 2015. Outra pesquisa realizada pela Accenture e o SAS Institute revelou que mais de 70% das empresas planejam ampliar investimentos em ferramentas analíticas em 2015. E você, está pronto para ampliar e otimizar o seu negócio?

Por Edneia Moura | @comexblog

Ferrovia no Brasil

Precisamos chamar logo a iniciativa privada, antes que a coisa degringole de forma a não ser mais possível se fazer algo.

Ferrovia

Passados pouco mais de 15 anos da privatização das nossas ferrovias, divididas em 11 malhas ferroviárias, é mais que hora do balanço. E, uma vez mais, temos que mostrar a incompetência do governo. Ansiamos por mostrar, algum dia, alguma competência, algo feito de forma útil. As esperanças estão se esvaindo e fica cada dia mais difícil acreditar neste governo e na sua capacidade de alavancar esse meio de transporte.

Nossa ferrovia, criada em 1854, chegou a 28.000 quilômetros em 1920. Para nós, considerando a época e a tecnologia disponível, era uma boa ferrovia. Segundo se sabe, atingiu 36.000 em 1948 e começou a recuar. Hoje têm os mesmos 28.000 quilômetros de 1920. O que significa ser uma ferrovia que nos envergonha.

Mas, como sempre dizemos aos nossos alunos e interlocutores, esse número nada diz. É um número absoluto e este, como se sabe, nada significa. O que vale mesmo é o relativo. Tudo na vida é relativo. E essa é a medida quando se quer saber se algo é adequado ou não. Para sabermos qual o tamanho real, de fato, da nossa ferrovia, temos que considerar o tamanho do território. Nessa medida, temos a pior ferrovia do mundo (será da Via Láctea?), com apenas 3,4 quilômetros para cada mil quilômetros quadrados do nosso território.

O que tem nossos concorrentes? A Argentina 12 quilômetros para cada mil quilômetros quadrados de seu território. A França 60. O Japão 62. A Inglaterra 70. A Alemanha 130. A ferrovia absoluta da Alemanha é de 45.000 quilômetros, para um território de apenas 349.000 quilômetros quadrados. Uma vergonha para nosso país com território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados.

O governo vem há anos alardeando que ano “X’ teremos mais 5.000 quilômetros de ferrovia. Teríamos cerca de 34.000 quilômetros, e fantásticos 4,0 quilômetros para cada mil quilômetros quadrados. Atingiríamos, assim, 1/3 da ferrovia da Argentina. O ano “X” muda todos os anos. Aquilo que era agora para 2014-2015 vai sendo empurrado com a barriga para 2016 e assim por diante. Uma delas, a Norte-Sul, vem sendo construída desde 1987. Isso mesmo, quase três décadas.

Rezamos “diuturnamente” para “Santa Ferrovia das Cargas Perdidas e Encarecidas” para que fiquem prontas até 2025 (sic). O atraso na ferrovia Norte-Sul custa R$ 12 bilhões por ano ao país, segundo matéria da Folha de São Paulo de 2012. E, segundo matéria do Fantástico, de 2013, com vídeo disponível na internet, há 800 quilômetros construídos com trilhos “moles”, que impossibilitam o uso total e adequado da ferrovia. Outra “Petrobrás”? Se bem que parece que a Petrobrás é que é outra “Ferrovia Norte-Sul”.

Qual o problema do governo se considerar incompetente para fazer as ferrovias que o país necessita? Que mal há em largar a rapadura para a iniciativa privada? É só delegar a esta a construção de ferrovias e teremos logo o que precisamos. Todos sabem que o governo é o pior gerente de obras que existe. Apenas para ficar nisso. Que qualquer de suas empresas é um cabide de emprego. Que o que interessa não é terminar obras, mas sim ter emprego permanente.

Perguntamos também qual o problema de se gostar do país. Não dá para gostar mais dele do que dos correligionários? A iniciativa privada visa lucro, tem acionistas a quem responder, assim, faz funcionar. É claro que não é a maravilha e panacéia para todos os males, mas, bem mais competente que o Estado e ajuda bem mais o país.

Precisamos fazer o que faz a China desde 1978. Seu grande líder Deng Xiao Ping podia até considerar o sistema político fechado interessante, mas, entendeu que a economia tem que ser capitalista. Só o capitalismo, o liberalismo econômico, a liberdade de empreendimento, o lucro, faz um país se desenvolver. A China saiu da pré-história em 1978 para cravar 10% de crescimento médio anual nesses 36 anos. E média de 10,3% entre 2003-2013. Com muitos anos de 11% ou bem mais. Isso é mostrar gostar um pouco mais do país.

Enquanto nós estamos empacados na média de 2,4% nesses 34 anos desde 1981. E cravando nestes últimos quatro anos uma média mais baixa ainda. E que poderá permanecer pelos próximos quatros anos sem mudanças radicais. E com nossa infra-estrutura e matriz de transporte piorando a cada ano.

Precisamos chamar logo a iniciativa privada, antes que a coisa degringole de forma a não ser mais possível se fazer algo. Construção não é função de governo. A menos que queira que custe várias vezes mais, não avance e se destrua o país. Função do governo é criar as condições, os marcos regulatórios, de modo que a iniciativa privada tenha condições de fazer o país funcionar.

Temos que entregar urgentemente à iniciativa privada a construção de ferrovias, com a meta de atingirmos, em alguns anos, pelo menos 100.000 quilômetros. E ai termos 12 quilômetros de ferrovias a cada mil quilômetros quadrados. Ainda pouco, mas um número que faça uma revolução na matriz de transporte brasileira.

Mas, claro, sabemos, são palavras ao vento, já que estamos em retrocesso e o Estado intervém cada vez mais na economia e na vida do cidadão. Só ver que nunca larga a ferrovia, deu marcha-a-ré na questão portuária, as estradas são as piores possíveis e não crescem.


Por: Samir Keedi | @comexblog

Carga refrigerada: cuidados

O transporte refrigerado de medicamentos é hoje um segmento especializado no ramo de transportes. Exige cuidados e procedimentos de segurança para que o produto não corra riscos, especialmente se for posto sob temperatura inadequada, o que pode levá-lo a se deteriorar, colocando em situação de perigo possíveis pacientes que possam usá-lo inadvertidamente.

Para tanto, esse tipo de produto deve sempre ser transportado em embalagens térmicas bem qualificadas, que disponham de alta capacidade de resistência, de maneira que possam garantir a manutenção das propriedades do produto por um pré-determinado tempo. Para tanto, deve-se observar rigorosamente as recomendações contidas nos dizeres da embalagem do produto sobre a temperatura e os cuidados de conservação.

É de se lembrar que Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) obriga os distribuidores a assegurar que os produtos farmacêuticos ou farmoquímicos não sofram deterioração física ou decomposição química durante seu transporte para garantir a saúde pública. Como estabelece a Anvisa, é proibido o transporte de medicamentos, drogas e insumos com produtos radioativos ou tóxicos, como inseticidas, detergentes, lubrificantes e agrotóxicos.

Além disso, antes de chegar às prateleiras das farmácias, drogarias, clínicas e hospitais, os medicamentos precisam percorrer um itinerário previamente escolhido, evitando-se acidentes que possam afetar sua integridade, de modo que permaneçam inalteradas suas características intrínsecas.  De fato, essa preocupação deve ser ainda mais acentuada num país como o nosso em que a infraestrutura logística é deficiente e contribui decisivamente para colocar em risco a integridade do produto.

Afinal, em qualquer trajeto, há a possibilidade de ocorrência de imprevistos como congestionamentos em rodovias ou em vias de acesso a portos ou aeroportos que obrigam a mercadoria sensível a suportar longos de períodos de temperaturas altas. Sem contar que, muitas vezes, esses congestionamentos ocorrem em áreas de risco, ficando o veículo sujeito a roubo, pilhagem ou ataque de vândalos. Por isso, é fundamental que o transportador, antes de tudo, avalie a rota, escolhendo sempre aquela que possa vir a oferecer menos complicações logísticas.

Há outros aspectos que devem também ser avaliados durante as etapas de operacionalização da carga, pois podem exercer influência sobre a eficácia do produto.  Um deles, sem dúvida, é a forma de acondicionamento. Outro é a condição do veículo de transporte bem como dos equipamentos utilizados. É de se assinalar que baús refrigerados, por exemplo, são dotados de equipamentos que precisam passar periodicamente por manutenção. Por fim, é de se ressaltar que a entrega deve ser feita sempre na presença de uma pessoa devidamente qualificada para o recebimento do produto.

Por: Mauro Lourenço - Via: ComexBlog

Nossa navegação de longo curso é aberta, pero no mucho

Ao contrário do que defende a ANTAQ em sua interpretação (omissão) histórica, à luz na nossa legislação, a exploração do transporte aquaviário brasileiro na navegação de longo curso não é essa bagunça, não é essaporteira escancarada, terra de ninguém, que hoje aí está, e que o regulador brasileiro quer nos fazer engolir pregando o terror do isolamento do país e dos aumentos de fretes.

Um órgão regulador, que pretende começar a regular o setor depois de mais de 13 anos da sua criação, não pode afirmar por ofício que seria catastrófico para o Brasil um simples ato de outorgar autorizações para que estrangeiros explorem atividades que, segundo a Constituição Federal de 1988, são consideradas estratégicas para o país, que estão diretamente ligadas à Organização do Estado.

Um simples ato de selecionar aqueles que poderão, ou não, explorar questões estratégicas para um país não pode ser colocado como um atraso, como se o país estivesse se fechando para o mundo. Com toda segurança, podemos afirmar que, do jeito que a ANTAQ vem trabalhando a navegação de longo curso brasileira atualmente, o que temos nada mais é do que uma porteira escancarada para o mundo, um ambiente de bagunça, onde qualquer empresa ou armador estrangeiro pode entrar e trabalhar livremente, sem fiscalização, regulação, supervisão, sanções administrativas ou pecuniárias, até mesmo, que leve a perda da outorga de autorização para operar no Brasil, que deveria ser considerado um ativo para uma empresa de navegação estrangeira.

Todas as teses jurídicas elaboradas pela ANTAQ, exceto as que pregam terror para não regular, visam sempre atingir o Art. 5° da Lei 9.432/97 que determina que a operação ou exploração do transporte de mercadorias na navegação de longo curso é aberta aos armadores, às empresas de navegação e às embarcações de todos os países, observados os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade.

A Lei 9.432/97, que abre (mas não escancara) a nossa navegação de longo curso aos estrangeiros, ao contrário do que interpreta e defende o regulador em suas diversas teses, é altamente restritiva.

Ela tem origem em uma exigência do Art. 178 da Constituição, relacionado à Ordem Econômica e Financeira, aos Princípios Gerais da Atividade Econômica do Estado, que determina que a lei disporá sobre a ordenação dos transportes aéreo, aquático e terrestre, devendo, quanto à ordenação do transporte internacional, observar os acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade.

Nesse sentido, é importante observar que, quando o legislador constituinte originário determina que o ordenamento do transporte internacional deva observar acordos firmados pela União, atendido o princípio da reciprocidade, ele não está preocupado com os estrangeiros. Ele está defendendo os interesses do Brasil.

No entanto, quis o destino que tivéssemos um órgão regulador que, em suas interpretações (omissões) históricas, invertesse aquilo que determina a Constituição, pregando que ela visa, tão somente, defender a liberdade total para os estrangeiros explorarem a navegação de longo curso no Brasil em total prejuízo (i) dos armadores nacionais, pela violação do princípio da defesa da concorrência, mas nada fazem, já que os estrangeiros agem em regime de oligopólio segundo a ANTAQ, e (ii) dos usuários.

Quando se busca montar um entendimento jurídico para não cumprir aquilo que é um dever cristalino, é fato que aparecerão inconsistências e é fato que verdadeiros buracos também aparecerão nessas montagens, e é isso que demonstraremos aqui e agora: Nas suas teses jurídicas que visam à omissão e não a regulação, a ANTAQ busca sempre nos conduzir APENAS ao Art.  5° da Lei 9.432/97 e aos míseros 13 acordos bilaterais que o Brasil tem celebrado e que, de longe, cobrem a quantidade de países sedes das empresas estrangeiras e embarcações que exploram o nosso longo curso. É óbvio que ela não poderia falar de abertura da navegação de longo curso sem mencionar os 13 míseros acordos, pois algo precisa ser usado para passar uma imagem mínima de controle do Estado, de que o longo curso brasileiro é explorado apenas por empresas desses 13 países que tudo está correto, respeitando o ordenamento jurídico pátrio.

Porém, é importante observar que, a ANTAQ, nas suas montagens, usa apenas aquilo que lhe convém e jamais menciona o Inciso III do Art. 1° da Lei 9.432/97 que determina que, no tocante aos armadores estrangeiros que exploram a nossa navegação de longo curso, estes devam estar amparados por acordos firmados pela União. Ou seja, para explorar a nossa navegação de longo curso, o país da empresa estrangeira, precisa ter celebrado com o Brasil um acordo bilateral e oferecer reciprocidade.

Ora, se temos acordos celebrados apenas com Alemanha, Argélia, Argentina, Bulgária,  Chile, Estados Unidos, França, Polônia, Romênia, Rússia e Uruguai, que diabos navios estrangeiros, pertencentes a armadores estrangeiros de bandeira e origem cipriota, liberiana dentre outras dezenas de nações que não possuem acordos bilaterais com o Brasil estão fazendo aqui, explorando a nossa navegação de longo curso?

Por que empresas mega carriers do segmento de contêineres, que operam em linhas regulares, sediadas na Dinamarca, Suíça, Israel, Bélgica, Holanda, Singapura, Kuwait, Coreia do Sul, Itália e Grécia, por exemplo, estão operando na nossa navegação de longo curso já que não possuem acordos bilaterais com o Brasil?

É fato que existem empresas estrangeiras operando no segmento de contêineres no Brasil, em linhas regulares de longo curso, atendendo à massa de usuários, que não poderiam emitir um conhecimento de embarque (Bill of Lading) sequer no Brasil. Culpa da armação estrangeira?  Não, é culpa do Estado omisso que temos, que tornou o Brasil área de serviço do mundo, incluindo os paraísos fiscais que fornecem bandeiras de conveniência.

De certo, para responder as perguntas acima, a ANTAQ imporia a todos nós o terror, trazendo as teses do isolamento do aumento de frete, que jamais poderiam ter sido elaboradas por uma Agência Reguladora, ainda mais em um setor “naturalmente oligopolístico” como ela mesma afirma ser o longo curso brasileiro, dominado praticamente 100% por estrangeiros.

A realidade é que, graças à omissão histórica do Estado em não regular a armação estrangeira, temos um grave problema a ser equacionado. Precisaremos cumprir a Constituição e as Leis e buscar esses países para celebrar acordos bilaterais e cobrar deles reciprocidade, de forma a garantir que empresas brasileiras de navegação possam ter seus direitos preservados. Não pregamos o terror, não queremos que deixem de operar aqui, mas a ANTAQ terá que resolver a questão, porque até nas teses que ela desenvolve, que observam apenas o Art.  5° da Lei 9.432/97 a ilegalidade impera.

Viajando para um mundo de omissões e de descasos com Organização do Estado, com a exploração por estrangeiros de atividades estratégicas para o país, com a Ordem Econômica e Financeira Brasileira, com os princípios gerais da atividade econômica, enfim, em um mundo de escárnio com a soberania do Brasil, passemos a admitir que a tese da ANTAQ para fugir do dever de outorgar autorizações aos armadores estrangeiros seja admitida, obviamente, após serem corrigidas as ilegalidades da sua tese, amplamente descritas acima.

Ao admitir essa tese, teríamos ainda uma questão a ser equacionada: Segundo a ANTAQ afirma, bastaria que uma empresa armadora estrangeira estivesse sediada em um país com acordo bilateral celebrado pelo Brasil para explorar a nossa navegação de longo curso e prestar serviços de transporte marítimo internacional de cargas para os usuários embarcadores, exportadores e importadores brasileiros.

Sim, é exatamente isso que a ANTAQ prega. Ou seja, a exploração de longo curso é aberta aos estrangeiros, e qualquer empresa que pertença a esses países pode prestar serviços, livremente, no Brasil. Esta seria a condição e estaria tudo resolvido.

Não está faltando algo? Basta ser de um país com acordo bilateral com o Brasil que as porteiras estão abertas (escancaradas)? Não precisam comprovar idoneidade e capacidade técnica, operacional e financeira para prestar serviços aos nossos usuários? Por que as brasileiras precisam e as estrangeiras não? Na tese da ANTAQ, é assim que a navegação de longo curso deve funcionar, ou seja, sem controle, porque o selo de qualidade de um armador estrangeiro é dado por um acordo bilateral.  Então, quer dizer que países que assinam acordo bilateral não possuem empresas armadoras inidôneas e sem capacidade técnica e operacional para atender os usuários brasileiros?

Pela tese da ANTAQ sim, todas essas empresas cujos países possuem acordos com o Brasil têm selo de qualidade, apenas porque são de países que possuem acordo com o Brasil. Ora, então, por que o regulador Europeu vem fazendo verdadeiras devassas em 14 empresas europeias que atuam no Brasil por combinação de preços e, ao regulador Norte-Americano, três empresas estrangeiras, que também operam no Brasil, admitiram culpa em combinação de preços?

Para a ANTAQ, repetimos, basta estar sediada em um país com acordo bilateral celebrado pelo Brasil que as porteiras na nossa soberania estejam arreganhadas. Mas isso não exporia o Brasil e as empresas usuárias dos serviços? Aqui recomendamos fazer essa pergunta ao órgão regulador, pois ele deve ter as respostas técnicas. Podemos, no entanto, imaginar qual seria a resposta: “Se não for dessa forma, o Brasil se isolará do mundo e os fretes aumentarão”.

Voltando ao Brasil Real que tem uma Constituição Federal e Leis excelentes, capazes de dar garantias ao país e aos usuários, afirmamos que o fato de uma empresa estar sediada em um país que tenha acordo bilateral com o Brasil, não é selo de qualidade, não garante idoneidade, não garante capacidade técnica, operacional e financeira.

O legislador constitucional originário e o legislador infraconstitucional não foram omissos a esse ponto. Pelo contrário, sabendo os riscos, a importância do transporte aquaviário para o país, é que ambos impuseram as outorgas de autorização para que fossem estabelecidos critérios, de forma que uma empresa estrangeira autorizada a explorar a nossa navegação de longo curso, atividade estratégica para o Brasil, Competência Exclusiva da União, que trata da Organização do Estado, oferecesse condições de atender nossos usuários.

Enfim, nas suas teses, a ANTAQ diz à sociedade:

- Senhores armadores estrangeiros, que estejam em países com acordos bilaterais celebrados com o Brasil (e os que não estejam também)! Venham para cá! É só chegar e explorar a nossa navegação de longo curso.

- Não precisam apresentar nada, pois seu selo de qualidade é dado pelo seu país de origem, que não tem empresas inidôneas e incapazes! Mandem seus navios para cá, trabalhem, faturem bastante, cobrem o que bem entenderem e da forma com a qual bem entenderem, pois não acompanhamos preços, serviços e qualidade, e nem vamos autuar e punir suas empresas! Não controlamos rotas e o ordenamento do trafego aquaviário na navegação de longo curso será todinho feito por vocês! Podem omitir portos à vontade, descontar tempo perdido em portos do exterior omitindo portos do nosso país, não tem problema! Não controlamos joint ventures e vocês podem fazer as alianças que bem entenderem (P2, P3, P4, etc)! Prometemos não encher a paciência de vocês com essa tal de regulação, que outros países, inclusive os seus de origem, insistem em fazer! Não temos sequer Regulamento Marítimo!

- Estão preocupados com o THC? Fiquem tranquilos, editamos uma resolução de número 2.389/12 só para constar, pois não faremos regulação! Cobrem o que desejarem dos usuários e paguem o bem entenderem aos terminais! Demurrage de contêineres? Podem cobrar o que bem entenderem, o preço é livre, o mercado é de vocês! Cláusulas e cobranças surpresas? Fiquem a vontade, cobrem o que bem entenderem e da forma com a qual bem entenderem!

- Garantimos: historicamente foi, tem sido e será sempre assim. Esse é o nosso método interpretativo “histórico”. Afinal, é para isso que a regulação e o controle do Estado foram criados, para “proteger” as empresas transnacionais, especialmente aquelas cujos navios são registrados em paraísos fiscais, mas que atuam em oligopólio, prejudicando os usuários brasileiros. Afinal, é para esses que pagam tributos que deveríamos trabalhar. É contraditório, não? Fiquem tranquilos, é assim mesmo, aqui é o Brasil, terra do vale tudo. E depois disso tudo, se os usuários reclamarem, vamos criar uma Agenda Positiva.

- No transporte marítimo brasileiro, vale aquilo que interpretamos e, podem acreditar, somos excelentes nisso! Enfim, se para vocês o mercado é livre, para os usuários o choro é livre. Só pedimos duas coisas e entendam como se fosse reciprocidade: Não isolem o Brasil e não aumentem os fretes!

Definitivamente, não é esse absurdo que o nosso ordenamento jurídico pretendeu fazer com o país e, especialmente, com o transporte marítimo de longo curso. Não somos radicais. É possível cumprir a Constituição Federal e as Leis sem burocratizar e emperrar o setor. Basta que exista competência para tal.

Basta legislarmos olhando também para exterior, sem agredir as nossas normas, preservando os direitos das empresas brasileiras e das estrangeiras. Nossa Constituição e as nossas leis deram para a ANTAQ a oportunidade e a possibilidade de ser elaborado um eficiente regulamento marítimo, mas, começar um normativo pisando nelas, será mais um dos enormes e graves erros cometidos pela Agência nesses mais de 13 anos de existência.

Nossa navegação de longo curso é aberta, no entanto, para empresas que estejam sediadas em países que possuem acordos com o Brasil e para empresas que, além desse pré-requisito, sejam autorizadas a operar aqui, após cumprirem requisitos mínimos de capacidade técnica, operacional e financeira e como regulação econômica eficaz, com registro e acompanhamento de preços e lucros módicos aos prestadores de serviços, tal como vem sendo feito pela Anac.   Hoje, infelizmente, podemos afirmar que impera a baderna!

Afinal, nossa navegação de longo curso é aberta, pero no mucho!

Por: André de Seixas - Via: ComexBlog

McLean e o Contêiner: a reinvenção da roda

No dia 26.04.1956 o navio “Ideal X”, um navio tanque, navegou com 58 contêineres no seu convés adaptado para tal – essa era a estreia da grande caixa de metal

Iniciamos este artigo lembrando a todos que trabalham na área de comércio exterior, em especial em transporte e logística, e mais especialmente aqueles que trabalham com a navegação marítima, que o próximo ano, de 2016, é muito especial.

Nessa ocasião, o contêiner, essa fantástica caixa de metal, fartamente conhecida e vista diariamente pelas ruas, criada pelo nosso herói, Malcom Purcell McLean (14/11/1913 – 25/05/2001) (nascido Malcolm, mas que, posteriormente, trocou o primeiro nome, e conhecido simplesmente por Malcom McLean, também pai do container), completará 60 anos de navegação.

Isso porque no dia 26.04.1956 o navio “Ideal X”, um navio tanque, navegou com 58 contêineres no seu convés adaptado para tal. Em junho ele foi acompanhado pelo navio “Maxton”, já com 62 contêineres, no serviço de cabotagem norte-americana, do armador Pan-Atlantic Steamship Company, empresa marítima adquirida por McLean em 1955.

Como a legislação dos EUA não permitia a um transportador rodoviário ter uma empresa de navegação, ele fez isso após vender sua empresa, a McLean Trucking Co. Uma empresa que ele havia criado nos primeiros anos da década de 1930, juntamente com uma irmã e um irmão, com apenas um caminhão, e já a segunda maior dos EUA em 1955. Em janeiro de 1956 comprou dois navios tanques, da segunda guerra mundial, para adaptar o seu convés para o transporte de contêineres.

E, com isso, trocar a tradicional operação breakbulk, o embarque e desembarque de cargas individuais, caixa por caixa, saco por saco, etc., pela unitização e movimentação de carga em grandes quantidades. Apenas embarcando e desembarcando uma dessas fantásticas caixas de metal que podem carregar algumas dezenas de toneladas.

Em 04.10.1957 surgiu o primeiro navio porta-contêiner da história, o “Gateway City”, para o transporte de 226 unidades de 35’ (trinta e cinco pés). O pé (‘) é a medida com a qual é padronizado o contêiner,e que equivale a 30,48 centímetros, coadjuvado pela polegada (“), que vale 2,54 centímetros, e que é 1/12 do pé.

Partindo da unidade-padrão TEU– twenty feet or equivalent unit (unidade de 20 pés ou equivalente) criada a partir do contêiner de 20’, e utilizada para medições, o que é impossível fazer apenas com a unidade contêiner, já que ela tem mais de um tamanho, este primeiro exemplar, que mostrava o que ia acontecer no nosso pequeno planeta, equivaleria a um navio de 395,5 TEU. Isso porque um contêiner de 35’ é equivalente a 1,75 TEU.

Após um crescimento vertiginoso nas décadas seguintes, os navios chegaram, por ora, com um lançamento em novembro de 2014, ao fantástico tamanho de 400 metros de comprimento, com capacidade para 19.200 TEU, cerca de 180.000 toneladas de carga.

Em 1958 McLean inaugurou sua linha entre os EUA e Puerto Rico com o navio “Fairland”. Em 1960 mudou o nome da empresa de Pan-Atlantic para Sea-Land Service, Inc. Em 1961 a empresa dava lucros e ele comprava navios maiores. Em 1966 foi iniciado um serviço com os portos de Rotterdam e Bremen, em 1968, com o Extremo Oriente, expandidos para Hong Kong e Taiwan em 1969 e para Singapura, Tailândia e Filipinas, em 1971.

Com certeza McLean não é o criador do equipamento em si, já utilizado um século antes nas ferrovias inglesas. Mas foi seu pensador e introdutor na navegação marítima. Com isso mudando toda a história do transporte, logística, navegação, deslocamento de mercadorias, armazenagem, tempo, custo e, claro, mudando radicalmente o comércio mundial, a economia, o mundo. E quem conhece seu desenvolvimento, entre eles nossos alunos e leitores, sabem bem disso.

Como costumamos dizer, e mostrar, o que pode ser verificado através de uma pesquisa sobre o desenvolvimento do mundo na metade de século XX, o contêiner é, segundo este interlocutor, o pai da globalização visível que existe no mundo. Não a globalização em si, que existe há milênios, desde os primórdios da humanidade, como sempre escrevemos em artigos e em nossos livros e ensinamos.

Mas, aquilo que chamamos de globalização visível, termo nosso, para indicar que ela, após milênios, apenas ficou visível a todos na segunda metade do século XX. E praticada através de vários atos, e entre eles podemos citar o comércio entre os países, transferência de dinheiro a outro país, guerra, dominação, tráfico de escravos, viagem, mudança de país, constituição de empresa fora do país e muitas outras razões que podem ser elencadas.

E, também, dizemos que, sem o contêiner, estaríamos vivendo o ano de 2015, apenas seguindo o calendário gregoriano, já que o desenvolvimento seria, no máximo, de 1980, o que pretendemos mostrar aqui. Assim, obviamente, a globalização não surgiu há pouco, e é multimilenária, apenas desenvolvendo-se pouco a pouco, de modo a ter sido notada apenas há poucas décadas. Podemos compará-la à gravidez, que ninguém a vê antes de três, quatro ou cinco meses, mas ela está lá, desenvolvendo-se aos poucos, até ser, finalmente, notada.

Isso faz de Malcom McLean um dos personagens mais importantes da história da humanidade, mudando o mundo, e praticamente ninguém sabe disso ou o conhece, e nem se vê isso em lugar algum. Até mesmo na nossa atividade de comércio exterior, onde ele é um quase completo desconhecido.

Uma pena. O que corrobora o que vimos dizendo e escrevendo, em tom de brincadeira, que nossa atividade é uma lojinha de R$ 1,99. O que quer dizer que um grupo de 1% das pessoas que trabalha com comércio exterior sabe o que faz, enquanto outro grupo, de 99%, apenas faz. E este segundo grupo vai bem até o primeiro problema, quando empaca. Enquanto aquele 1% sabe o que faz, resolve e vai em frente. Claro que sabemos que este conceito talvez possa ser aplicado hoje a praticamente todas as áreas do conhecimento em nosso país, mas, para boa ordem, vamos ficar com isso apenas na nossa área.

Todos também sabem que a Sealand, uma das maiores empresas de navegação dos Estados Unidos, deixou de existir no final da década de 90. Ela foi absorvida pela Maersk, uma empresa Dinamarquesa, e que há muitos anos é a maior empresa de navegação de transporte de contêineres do mundo. A Maersk, manteve o nome Sealand agregado ao seu até o ano de 2005, e que desapareceu com a aquisição, pela Maersk, da P&O Nedlloyd. O que ainda se vê por ai, como lembrança dos velhos tempos, são os contêineres da Sealand, que não foram repintados e renomeados.

A Sealand é um símbolo que desaparece, e, aqui, aproveitamos para prestar nossa homenagem a ela. Mas, continua o mais importante, que é o maravilhoso contêiner, o mais espetacular equipamento de transporte que já se criou, em nossa modesta opinião. Possivelmente mutável, podendo ser melhorado, mas, certamente, insubstituível.

E claro, mais ainda, permanece a figura de Malcom P. McLean, um expoente do transporte e da história do homem (homo sapiens), este ser imperfeito, mas capaz de criar as maiores maravilhas e dar ao homem um status fantástico. Pena, apenas num aparte, não ter aprendido a viver integralmente em sociedade, como seria ou deveria ser o natural. Para isso, é só ver o que ocorre com a maior parte da humanidade, em especial na África, América Latina e Oriente Médio, com reflexos mundiais, sem deixar de ocorrer também nos países ditos desenvolvidos. Mas, é só um aparte de protesto, de quem está vivo, vê e se preocupa. Retornemos ao nosso maravilhoso equipamento, a nova roda do desenvolvimento humano.

Assim, podemos dizer, mais uma vez, que se o contêiner ou algo equivalente jamais tivesse sido criado, com toda a certeza a humanidade estaria com desenvolvimento de anos 70, talvez início de anos 80. O impacto deste equipamento na vida de cada um é extraordinário, embora a maioria esmagadora da humanidade sequer tenha conhecimento disso e, muitos outros, sequer da sua existência.

Notamos, ao longo de nossa carreira profissional e acadêmica, que nem a maioria do contingente de pessoas que trabalham ou se relacionam de alguma forma com o comércio exterior notaram isso e dá o valor que esta unidade merece. Normalmente é tratada como uma caixa de metal em que se coloca mercadoria dentro, e pronto.

E tampouco ao nosso herói, sr. McLean. Com toda a certeza, este personagem é uma das personalidades mais importantes da história da humanidade, em especial do século XX, e dos poucos a mudar o mundo tão radicalmente. Muito embora, talvez, nem ele mesmo, tivesse consciência do que estava criando no princípio desta unidade e transporte.

Sua intenção inicial era não ficar parado no porto, esperando por dias para desembarcar sua carga e ir buscar outra. Queria descarregar logo. A princípio queria deixar o próprio chassi da carreta, mas isso não foi viável em face, principalmente, do espaço ocupado. Daí surgiu o contêiner, isoladamente. Isso é normal, e nem o extraordinário Leonardo da Vinci tinha ideia de que um dia seria considerado o homem mais inteligente que já pisou em nosso mísero e ínfimo planeta.

Quando notamos a importância desta unidade de transporte? Em meados da década de 90 do século passado, quando começamos a ter a exigência de nossos clientes de Singapura e Hong Kong, de que nossas 5.000 toneladas de frangos (5.300 toneladas brutas) mensais deveriam ser transportadas e entregues em contêiner. Eles não aceitariam mais as cargas transportadas como breakbulk, ou seja, carga geral solta, armazenada, manipulada, embarcada e transportada na forma de caixinha por caixinha.

Afinal, estávamos lidando, já há época, com os dois maiores portos de containers do mundo. Para se ter a importância desses dois portos para a conteinerização mundial, Singapura movimenta cerca de 34 milhões de TEU, enquanto Hong Kong aproximadamente 27 milhões de TEU por ano. E eles crescem continuamente. Para se ter uma ideia da magnitude desses números, o mundo movimenta cerca de 600 milhões de TEU.

E o Brasil, de norte a sul, de leste a oeste, na importação e exportação, incluindo contêineres vazios, no comércio exterior e na cabotagem, cerca de sete milhões de TEU ano. Assim, justifica-se a solicitação de nossos clientes, para quem ainda estávamos nos primórdios da navegação em nossas cargas àqueles destinos.

Quem está afeito a esse tipo de embarque breakbulk, sabe que você encosta um caminhão na plataforma de sua fábrica ou armazém e coloca na carreta cerca de 25 toneladas líquidas de mercadoria (26,5 toneladas de carga, esta bruta, incluindo a embalagem). O lote todo equivale a 200 carretas. Como estamos falando em cerca de 400 mil caixas de frangos, estamos nos referindo a cerca de 2.000 caixas de franguetes por carreta.

Com uma boa prancha de embarque (quantidade de carga que se embarcava ou desembarcava num determinado período), e na ocasião ela era de aproximadamente 150/200 toneladas por dia por porão/terno de trabalho, essa quantidade seria embarcada em 6/7 dias, tudo correndo bem, o que é virtualmente impossível com esse tipo de operação. Vide que, apenas uma pequena chuva, já obrigaria o fechamento dos hatches (tampas) dos porões dos navios, interrompendo as operações, o que poderia ocorrer por dias ou semanas, dependendo do interesse de “São Pedro ou não na carga”.

Quando essa carga começou a ser conteinerizada, movimentada, embarcada, transportada e desembarcada, obviamente as mudanças foram imediatamente notadas por nós e, claro, nos levou a reconhecer e dar ao contêiner a real dimensão do seu valor, antes ignorada também por nós.

Os embarques, que antes ocorriam em dias e semanas, passaram a ser operados em horas, e não é preciso ficar explicando a ninguém qual o tempo que um navio porta-contêiner fica no porto. Dificilmente ultrapassa dois períodos de seis horas. E com a produção e produtividade atual de nossos portos, que nesse caso estão em níveis mundiais e até acima, embarca-se 200 unidades em pouco mais de duas horas. E em certas operações isoladas, ema te uma hora.

O contêiner é, inclusive, na sua condição de uso, porão de navio. Quando retiramos uma unidade do navio, estamos retirando um pequeno porão, que vai transitar pelas estradas e levar a carga da sua origem a seu destino, sem qualquer manipulação nela.

Com essa velocidade e condição, nos veio à mente, e já começamos a imaginar, quantas viagens poderiam ser feitas a mais por ano, e em toda a existência do navio. Portanto, muito mais comércio. Da mesma forma ocorre no desembarque, levando os tripulantes de um navio a praticamente não verem mais terra, mas apenas mar. Pode-se dizer que hoje são “seres marinhos”.

A velocidade dos navios porta-contêineres é maior do que os convencionais de carga geral, que navegam a velocidades de 12-15 nós por hora (uma milha marítima, equivalente a 1.852 metros), enquanto os navios porta-containers navegam hoje até a 26 nós. Compute-se tudo isso e o que teremos?

A isso devemos agregar a capacidade de receber e transportar carga, várias vezes mais do que os navios convencionais. Esses navios transportam carga apenas até o convés, armazenados nos compartimentos limitados por porões e deques, e dentro de seu formado, digamos, em “V”.

Os navios porta-contêineres não têm essas divisões, mas a divisão em bays (baias), rows (colunas) e tiers (camada), onde são colocadas as unidades, sendo que cada posição dada pela bay, row e tier indica um slot, ou seja, uma posição de container de 20’. Isso implica em mais carga transportada em face da sua racionalização.

Mais um grande chequemate em relação ao navio convencional é a capacidade de transporte dessas unidades no convés do navio, hoje realizado à altura de até 8 contêineres. Isso significa que no convés transportam-se duas vezes mais cargas que nos porões, abaixo do convés. E note que isso ocorre de bordo a bordo, e não no formato “V” abaixo do convés.

Quando se analisa tudo isso, e se vê a fantástica multiplicação dos navios, cargas, transporte, etc., fica-se curioso para investigar o que teria ocorrido com o comércio mundial nesses 60 anos de vida do contêiner. E a conclusão é surpreendente.

Verifica-se que a humanidade levou milhares de anos, ou séculos pelo menos, para chegar a uma corrente de comércio de bens (exportação mais importação), em dólares dos Estados Unidos (US$), de 117 bilhões em 1950. A partir daí o comércio evoluiu como segue: 235 bilhões em 1960; 614 bilhões em 1970. Atingiu 3,9 trilhões em 1980; 6,9 trilhões em 1990; 13 trilhões em 2000; 32 trilhões em 2010, e 37 trilhões em 2013. Isso a despeito da mais grave crise do capitalismo, iniciada em 2008-2009 e ainda presente entre nós.

Como o contêiner foi criado em 1956, e padronizado em 1968, isso explica tudo. Ninguém desconhece as vantagens de uma padronização, seja lá do que for ela, em especial de contêiner. Com a padronização dessa unidade, pode-se começar a construir navios mais adequados para o seu transporte, equipamentos especiais de movimentação como reachstackers, transtainers, e de operações de embarque e desembarque como portainers e MHC-mobile harbour cranes” e outros. Também instalações portuárias adequadas a esses equipamentos e ao contêiner, etc. Como se pode imaginar, discorrer sobre isso é chover no molhado como diz um velho ditado.

Portanto, a partir da padronização, criou-se as condições de incremento das operações de cargas conteinerizadas que já vinham ocorrendo no final dos anos 60 e 70, propiciando o aumento do comércio muito maior do que ocorreu naquela pouco mais de uma década.

É incontestável a responsabilidade do contêiner na evolução e multiplicação do comércio, que certamente não teria ocorrido sem ele. E de acordo com nossa avaliação, também, obviamente nada científica, sem o contêiner dificilmente teríamos um comércio mundial de mais de 3 ou 4 trilhões de dólares norte-americanos hoje. O que significaria estarmos no ano de 2015, mas com desenvolvimento de anos 70 ou começo dos 80, como dissemos.

Como costumamos brincar nas aulas, ao explicar isso, dizemos que nem celular teríamos. E isso, para a vida moderna, certamente seria um imenso problema, certo juventude?

Para quem não aceita as explicações, ou não quer acompanhar a evolução, propomos uma regressão. Imaginemos que um gênio do mal, tipo um que todo o mundo conhece de sobejo, e que foi “enterrado” no mar há alguns anos, por alguma razão conseguisse formar uma cadeia mundial de rádio e televisão e, em horário nobre, entrasse no ar com o seguinte anúncio: “Terráqueos, amanhã, ao acordarem, não haverá mais sobre a terra, um único contêiner e qualquer navio porta-contêiner, mas apenas navios convencionais de carga, com seus tradicionais porões (holds) e decks”.

Agora, é só imaginar o verdadeiro caos em que o mundo se transformaria, o que aconteceria com os embarques e desembarques de carga, e a que nível de valores o comércio internacional chegaria. Assim, fica mais fácil imaginar o que teria ocorrido se o nosso herói, sr. McLean, não tivesse criado o contêiner. Sabemos que, obviamente, com o tempo, outro alguém pensaria e teríamos tudo isso.

Mas, para o que pretendemos não é isso que importa, e torna-se até irrelevante quem o teria criado. O que importa é o caminho trilhado e o que ocorreu, e a passagem de um mundo de marasmo comercial e de desenvolvimento como até os anos 1950 ou 1960, para um mundo dinâmico e de elevado grau de desenvolvimento comercial, tecnológico, etc.

Ninguém pode nem deve menosprezar o comércio. Ninguém pode desconhecer que o desenvolvimento é movido a comércio e economia, quanto mais comércio, mais desenvolvimento. Tudo gira em redor do comércio, queiram alguns ou não.

Assim, argumentos de que o mundo se desenvolveria de qualquer maneira pela tecnologia, comunicações, pesquisa, etc., não se sustenta muito sem o contêiner e o comércio. É o comércio que faz o desenvolvimento. Quanto mais se transaciona mercadorias em âmbito internacional, mais se desenvolve os produtos, mais se faz pesquisa, mais se criam formas de comunicação e transporte para poder acompanhar as transações.

Sabemos que essa é uma ideia um tanto heterodoxa, quiçá mesmo revolucionária, que não se vê amiúde, não se escreve sobre isso. Certamente, em nossa opinião, não é pela razão de não ser o fato importante em si, mas porque não se pensa nisso dessa maneira. O contêiner foi criado para facilitar as coisas, e só se pensa nele dessa assim.

Em nossa opinião, este maravilhoso equipamento e Malcom Mclean, deveriam ser objeto de estudos sérios, científicos, para constatação disso que é tão obvio. E de idolatria.

Entre outras muitas honrarias recebidas nos EUA pela sua inovação, foi conduzido ao Business Hall of Fame da revista Fortune, em 1982. Em 1995, a revista Heritage Magazine o nomeou como um dos dez maiores inovadores dos últimos 40 anos. Em 2000, foi nomeado o homem do século pela International Maritime Hall of Fame.

Por: Samir Keedi - Via: ComexBlog

Anamélia Soccal Seyffarth é nova secretária-executiva da Camex

Foi publicada no Diário Oficial da União, a nomeação de Anamélia Soccal Seyffarth para a Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), presidida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). 
Natural de Santa Maria (RS), formada em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), Anamélia é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG). Ela ocupava o cargo de assessora especial da Camex desde março de 2004. 
Também foi coordenadora-geral de Integração da Secretaria de Assuntos Internacionais (Sain) do Ministério da Fazenda (MF) e economista do Grupo de Estudos Técnicos (Getec) da Subsecretaria de Assuntos Econômicos, Integração e de Comércio Exterior do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Mais informações para imprensa:Assessoria de Comunicação Social do MDIC
(61) 2027-7117 e 2027-7320
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